As psicoterapias mais conhecidas e mais usadas no Brasil e no mundo

Esse artigo apresenta resumidamente:

  • As psicoterapias mais conhecidas e mais usadas no Brasil e no mundo;
  • Uma reflexão sobre o método mais adequado de tratamento para problemas mentais e emocionais;
  • Um questionamento sobre (i)mutabilidade da essência humana e da realidade: significado e consequências.

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Todas as escolas ou linhas de psicoterapia do século XX – e havia 500 delas no mundo em 1995 – são identicamente organizadas: todas são representadas por um líder, que serve simultaneamente de terapeuta e teórico para o seu grupo.

Considerando tão grande número de representantes, naturalmente surge a pergunta: Qual metodologia, de qual escola, seria mais eficaz na compreensão de um transtorno mental e no tratamento de um paciente em sofrimento?

A questão mais importante em debate é sobre qual seria ou seriam os métodos mais adequados de tratamento de problemas de natureza emocional, com o intuito de remover, modificar ou retardar sintomas existentes; corrigir padrões de comportamentos desadaptados; promover o desenvolvimento e o crescimento positivo da personalidade.

Tentativas, ensaios e propostas realmente não faltam; mas, diante de tantas opções, como escolher o que seja mais propício para diagnóstico e tratamento adequados? Seria necessário dar conta de estudar e compreender todas as propostas. E o caminho mais apropriado para esta compreensão seria fazer uma divisão epistemológica das teorias subjacentes a cada escola, com posterior agrupamento didático por campo de estudo.

Podemos optar pela tentativa de reconhecimento e de composição de macroáreas que abarquem as linhas mestras gerais das propostas mais conhecidas e mais trabalhadas. A partir disto, então, ficaria, em tese, mais fácil realizar um mapeamento de quaisquer escolas pelas quais algum interesse tenha sido despertado mais efetivamente. Entretanto, como era de se esperar, há divergência entre os teóricos sobre qual seria a melhor divisão possível de linhas mestras, quer seja epistemologicamente, quer seja didaticamente falando. Facilmente identificamos de três até dez linhas distintas sugeridas como as macroáreas da abordagem psicoterapêutica.

A diversidade de opiniões e de propostas psicoterápicas é decorrente da complexidade da psique humana, bem como da origem e do desenvolvimento da psicologia a partir da influência de diferentes ramos do conhecimento: da filosofia, da medicina, das religiões, etc. De modo geral, as diferentes abordagens teóricas apresentam alguns elementos básicos, através dos quais podemos fazer certa distinção entre as propostas, tais como: (1) uma teoria sobre o funcionamento mental, (2) uma teoria do desenvolvimento, (3) uma explicação sobre a origem do sofrimento e, (4) uma visão sobre o processo terapêutico.

Um arranjamento de acordo com a perspectiva teórica de cada proposta precisa levar em consideração que os vários tipos de psicoterapia, em todas as suas diferentes formas e métodos, possuem uma série de características em comum, o que exige ainda mais maestria por parte do psicoterapeuta, quando este se propõe a distinguir, aproximar e mesmo conjugar teorias e métodos.

Os apontamentos abaixo ajudam a visualizar uma proposição esquemática, ao mesmo tempo que revela o desafiador e vasto espectro do campo de pesquisa e de conhecimento que é a psicologia. PERREZ e BAUMANN propõem uma classificação de acordo com a perspectiva teórica das escolas, em quatro grandes famílias: as Psicodinâmicas, as Cognitivo-Comportamentais, as Existencial-Humanistas e as Sistêmicas.

Psicoterapias Psicodinâmicas

As psicoterapias psicodinâmicas explicam os problemas psíquicos com base nos conflitos inconscientes originados ainda na infância. Com o objetivo de superar tais conflitos elas procuram compreender o presente a partir do passado e, para isso, trabalham com métodos interpretativos. Objetos de interpretação podem ser as livres-associações, os fenômenos transferenciais, os atos falhos, os sonhos, etc.

É nessa grande categoria que é inserida a psicanálise, que trabalha com o conceito fundamental de inconsciente, focando nos problemas do paciente relativos principalmente ao passado, com pouca contribuição do presente.

Autores mais expoentes: Sigmund Freud, Carl Jung, Jacques Lacan, Melanie Klein, Alfred Adler, Erik Erikson, Wilfred Bion, Donald Winnicott.

Psicoterapias Cognitivo-Comportamentais

As psicoterapias cognitivo-comportamentais explicam os transtornos mentais baseadas na história de aprendizado do indivíduo e nas interações dele com o seu meio e têm por objetivo restabelecer as competências do paciente de controlar o seu comportamento e de influenciar suas emoções e percepções.

Embora considere o passado do paciente, se concentra, sobretudo, no presente – em como pensamentos e comportamentos do paciente os estão afetando no aqui e no agora.

Trabalha os pensamentos e sentimentos, visando desenvolver novos comportamentos não-nocivos, por meio de reestruturação cognitiva, condicionamento operante, habituação, diálogo socrático, métodos psicofisiológicos, entre outros.

É nessa grande categoria que são inseridas a Terapia Cognitiva, a Terapia Comportamental, a Terapia Cognitivo-Comportamental, a Terapia Racional-Emotiva, entre outras.

Autores mais expoentes: Burrhus Frederic Skinner, John Broadus Watson, Ivan Pavlov, Edward Lee Thorndike, Aaron Beck e Judith Beck.

Psicoterapias Existencial-Humanistas

As psicoterapias existencial-humanistas partem do princípio de que todo ser humano possui em si mesmo uma força interna que, se não for impedida por influência externa, o conduz à sua plena realização. Explicam os transtornos psíquicos como “fruto da incongruência entre a autoimagem e a experiência pessoal e buscam fomentar as forças de autorrealização do indivíduo. Esse grupo de terapias se concentra na experiência atual da pessoa e procura métodos de trabalho que possibilitem ao cliente (como é chamado por elas a pessoa que busca a terapia) desenvolver-se de maneira congruente a suas necessidades”.

A psicoterapia humanista trabalha com o conceito fundamental de ênfase na experiência consciente: “Experienciar o tempo presente como uma totalidade que sinaliza a integração eu-mundo é fundamental para a libertação das exigências compulsivas do passado e futuro”. A fenomenologia, o existencialismo e o humanismo são as bases filosóficas que influenciaram o surgimento da abordagem humanista em psicoterapia.

É nessa grande categoria que são inseridas a Logoterapia, a Gestaltoterapia, o Psicodrama, entre outros.

Autores mais expoentes: Viktor Frankl, Carl Rogers, Abraham Maslow, Jean-Paul Sartre, Martin Heidegger, Fritz Perls, Rollo May.

Psicoterapias Sistêmico-Construtivistas

As Psicoterapias Sistêmicas ou Sistêmico-Construtivistas são orientadas na comunicação e têm seu foco na linguagem. Elas consideram os transtornos do comportamento como expressão de estruturas disfuncionais de comunicação e buscam a reorganização dessas estruturas ou a criação de novas estruturas, porém, mais construtivas. Preocupam-se, sobretudo, com a situação presente e trabalham com métodos que possam gerar novas formas de compreensão da realidade e de si mesmo.

Psicoterapias sistêmicas não se engajam em investigar um mundo objetivo ou verdades universais: para elas a objetividade é considerada relativa - dessa forma, abrem mão de verdades absolutas, sugerindo que e a verdade existe apenas de acordo com a visão de cada um.

É nessa grande categoria que são inseridas a Terapia Familiar, a Terapia Construtivista, a Terapia Sistêmica, a Terapia das Constelações Familiares, entre outras.

Autores brasileiros mais expoentes: Marilene Grandesso, Maria José Esteves de Vasconcellos, Rosana Rapizo, Gladis Brunn.

Outras sugestões de subdivisão

Há, evidentemente, outras sugestões de subdivisão dos métodos e técnicas psicoterapêuticas, cada uma delas com os seus pressupostos. Penso, entretanto, que as divisões apontadas acima dão conta de uma explanação ampla onde as principais escolas se enquadram ou são geralmente alocadas, bem como algumas das suas variáveis.

Entretanto, apesar de raízes e objetivos compartilhados pelas escolas e linhas da psicoterapia, apesar da complementariedade das teorias e propostas terapêuticas, apesar do trânsito frequente que psicoterapeutas experientes fazem ao usarem ideias e técnicas de diferentes escolas, há certo conflito permanente nesse universo: “As escolas psicodinâmicas e existencial-humanistas são muitas vezes atacadas por não serem suficientemente empiricamente fundamentadas, enquanto [que] as cognitivo-comportamentais são acusadas de serem mecânicas, cansativas e superficiais”.

Em busca de uma Psicoterapia Geral

Tem-se mostrado comum que terapeutas de uma abordagem teórica utilizem técnicas originadas em outras escolas. A busca por melhores resultados na clínica parece estar promovendo estes intercâmbios. A tentativa de formação de uma estrutura teórica básica, que ofereça a possibilidade de localizar, descrever e empregar as diferentes escolas tem sido chamada de uma Psicoterapia Geral.

Esse esforço de proporcionar à prática psicoterapêutica uma base comum é feita por diferentes autores, de diferentes maneiras:

* Integração: a busca de uma unificação da base teórica das diferentes escolas.

* Ecletismo: objetiva reunir os elementos efetivos das diferentes escolas, sem levar em conta possíveis diferenças teóricas.

* Variáveis Transteóricas: busca dos fatores comuns a todas as escolas, mas que recebem em cada uma delas um papel mais ou menos central.

Minha opinião

Em minha opinião não é possível compilar uma teoria geral que abranja todas as formas de psicoterapia ou, uma Psicoterapia Geral; pelo simples e irredutível fato de existirem visões distintas e antagônicas de mundo e de ser humano que são e que se manterão irreconciliáveis. Essas particularizadas compreensões da realidade geraram diferentes crenças, diferentes históricos familiares e experiências muito singulares de vida. E, embora sejam muito facilmente identificáveis e rastreáveis os matizes e as razões de tais crenças e comportamentos, é idealismo sugerir ou mesmo imaginar que, fortuita ou gratuitamente, as pessoas simplesmente deixem de ser quem são.

Portanto, quanto mais ao extremo dos polos de cada teoria e da epistemologia subjacente: causa, versus consequência; passado, versus presente; objetividade, versus subjetividade; inconsciente, versus consciente; ontologia, versus cultura; verdade universal, versus verdade relativa – tanto mais distante de qualquer possibilidade de conciliação teórica e, por conseguinte, metodológica.

Minha opção é, antes de qualquer outra coisa, pela ontologia (o estudo do ser em si) – quando esta se refere à natureza, à essência, à realidade do ser humano: do que somos feitos de fato e que não pode ser violado sem consequências tragicamente significativas.

Minha pergunta subjacente é: o que somos em essência, pode realmente ser mudado, ou é a realidade circundante que deve ser ajustada a nós?

Se você desejar mais informações sobre a psicoterapia ontológica, entre em contato!

Att.,

Dr. Marlon Schock.